quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Produtividade

Ora então boa tarde, no outro dia li um artigo intitulado "A improdutividade do aumento das horas de trabalho" do Jornal de negócios sobre as horas de trabalho e a influência que podem ter na produtividade.

Em suma, o artigo defende que menos horas de trabalho tornam as pessoas mais produtivas.

Na altura fiquei a convencido que o autor tinha razão (e continua a ter), pois se tenho menos horas "obrigatórias" de trabalho, passo menos tempo a pensar quando vou sair e mais a pensar no que estou a fazer. Também perco menos tempo nas pausas para o cigarro e nas conversas de corredor.

Quando dei por mim já estava a pensar nas regras da empresa Virgin dos Estados Unidos da América na qual não há férias para ninguém, os empregados descansam quando querem e durante o tempo que quiserem (sim, isto é verdade, podem ver aqui). E em como as iria aplicar se algum dia fundasse uma empresa.

Depressa a realidade desmoronou em cima de mim. Em Portugal é impossível tomar medidas destas, com a sociedade que temos. Não são os patrões que são maus, é a consciência dos funcionários que é uma *****. 

Se se desse liberdade de horários e de dias de descanso a todos os funcionários, depressa iam começar a ocorrer abusos. Os portugueses (no geral) não entendem que se prejudicam a empresa para a qual trabalham, prejudicam directamente o seu próprio futuro.

Sou apologista de horários flexíveis e dias de descanso flexíveis (não há dias de férias nem horário de trabalho, descansas e trabalhas quando achas que deves), obviamente os funcionários têm de ser responsáveis e imporem-se a si mesmos regras de forma a que a empresa para a qual trabalhem continue a funcionar. 

Para mim (como patrão), um funcionário que esteja contrariado a trabalhar não me vale de nada, só está a gastar recursos à empresa (electricidade, etc). Já todos tivemos dias em que simplesmente as ideias não fluem. Porque não ficar em casa nesse dia? A empresa deixa de gastar recursos e o funcionário fica feliz. O problema é que com os trabalhadores que temos isso é impossível.

Obviamente estou a generalizar, muita gente é responsável e sabe o que faz. Infelizmente estamos a falar de uma minoria cada vez mais pequena. 

Temos um exemplo do culto do enganar o próximo bem visível, os nossos governantes (um dia falo sobre política e políticos, mas hoje não é o dia). E como os governantes são um reflexo da sociedade que os elege, não podia encontrar um espelho melhor.

Tudo isto para dizer que vivemos numa cultura em que enganar o próximo é valorizado, mesmo que esse próximo esteja a assegurar o nosso futuro.

E pronto é isto, até um dia destes.

6 comentários:

  1. Não tem a ver com o sitio onde é implementado mas sim com a capacidade do líder de um projecto conseguir motivar os seus funcionários de modo a que eles sintam que o que eles estão a fazer vale a pena.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estás-me a dizer que se colocar uma equipa sobre o teu encargo, quando chegar a altura de dispensar por falta de produtividade, despeço-te a ti. Pois foste tu que não motivaste as pessoas o suficiente, por isso tens de ser substituído.

      Concordo que há situações em que um bom líder faz a diferença, mas na grande maioria é o mind-set das pessoas que manda.

      Eliminar
    2. Uma pessoa que está motivada e não é produtiva é porque tem falta de skills e isso é algo que se tem de ter em conta aquando da contratação. Com uma cultura de trabalho adequada a maior parte das pessoas numa situação normal se vai sentir motivada.

      Vê isto:

      https://labs.spotify.com/2014/03/27/spotify-engineering-culture-part-1/

      Eliminar
    3. Não amigo, uma pessoa pode ter skills e ser simplesmente preguiçosa (cultura do deixa andar).

      E, tal como falo no post, a maioria dos funcionários portugueses tem a cultura do deixa andar e não uma cultura de trabalho. Para além disso é exactamente como dizes "a maioria", o que é que acontece ao resto?
      Mais, esse "resto" cria brechas na cultura de trabalho da equipa, afinal "se ele não faz, porque é que eu tenho de fazer?". Obviamente um bom líder detecta estas situações e tenta remediá-las, até que os funcionários começam a seleccionar a forma como informação que lhe passam, afinal "ele é um chato, é mais fixe enganá-lo".

      A eficácia da tua ideia depende de onde for aplicada. Neste momento em Portugal tenho quase a certeza que não resultava.

      Eliminar
  2. Se o trabalho tivesse cheio da gajas os índices de produtividade disparavam a 32392384% .. o pessoal quer é gajas

    ResponderEliminar